A força das mobilizações populares
Octaviano Gonçalves de Oliveira
No Brasil, como em tantas outras partes do mundo, mobilizações da população e ainda mais se bem coordenadas por entidades civis bem conceituadas, produzem sempre bons resultados. Assim foi com mobilizações como as passeatas e os comícios das “Diretas Já”, que contribuíram para a abertura política; os movimentos populares chamados “Caras Pintadas” ou “Fora Collor” que forçaram a renúncia daquele Presidente; e, mais recentemente, as mobilizações que redundaram na “Lei da Ficha Limpa” lideradas pela OAB, a CNBB e outras entidades civis, cujo projeto inicial, apesar de ter sido alterado, resultou no expurgo da lista de candidatos a cargos eletivos nomes de políticos processados por corrupção, improbidade administrativa e outros crimes.
Trouxe os exemplos acima, para comentar o resultado de uma mobilização popular ocorrida em nossa cidade, qual seja a que foi planejada e realizada feita pela CDL reclamando segurança e paz, tipo de ação essa que eu já sugeria nos meios virtuais tão logo apareceram as primeiras notícias de arrombamentos, assaltos e roubos em Morro do Chapéu, vez que nenhuma medida eficiente estava sendo adotada para evitá-los. E o quadro mudou, pois no momento quem ler as notícias que circulam pelos mesmos meios pode observar que tais delitos deixaram de acontecer. Teria isso ocorrido por acaso? A meu ver não. Isto foi fruto da grande mobilização popular, que teve a participação de todos os segmentos da sociedade e da qual eu participei como membro da Diretoria da ASFAM. Se a mobilização popular não sensibilizou a contento as autoridades, dado que não foi noticiada nenhuma medida adotada pelo poder público e ainda continuam as policiais locais sem os recursos necessários para combater a criminalidade, é notório que aquela manifestação de repúdio com a participação de mais de três mil cidadãos, pode ter levado os infratores a refletir sobre os crimes que cometiam, ou então, afugentaram-se para outras lugares temendo uma reação ainda maior da população.
Essa constatação mostra o quanto tem força o grito de alerta dos cidadãos através das diversas entidades civis organizadas e constituídas de um município. Tal resultado comprova a importância do povo estar sempre atento às questões que afetam a vida das pessoas e numa situação sem controle a população deve sempre em alerta e se mobilizar pacificamente e sem revanchismo de caráter político partidário, na hipótese do poder público se mostrar omisso ou sem condição para sanar problemas que tiram a paz das famílias. Por isso, a importância das entidades civis se manterem organizadas, sempre promovendo ações de cidadania, em constante contato com todas as camadas sociais, e, permanente em estado de alerta quando uma situação assim exigir.
Salvador, janeiro de 2012.
Morrense, Economiário Federal Aposentado, Bacharel em Filosofia e Acadêmico de Direito da UCSAL
janeiro 31st, 2012 at 21:29
Comentamos isso, recentemente, quando da minha ultima viagem a Morro do Chapéu, com alguns morrenses. Realmente! Acreditamos que houve eco em vários segmentos da sociedade aqueles gritos de “Queremos Segurança”. Somente não houve naqueles que poderiam buscar as soluções mais duradouras. Mas, o povo está sob alerta, as eleições se aproximam e as armas devem estar afinadas, ou pelo menos, deveriam estar quanto as escolhas para governar os próximos 04 anos.